Na mitologia grega, Narciso é amaldiçoado a apaixonar-se pelo próprio reflexo nas águas de uma fonte, definhando até a morte por não conseguir consumar esse amor inatingível. Se trouxermos essa alegoria para a contemporaneidade, as águas cristalinas da fonte foram substituídas pelos espelhos panorâmicos das academias de ginástica e pelas telas dos smartphones. A música de Caetano Veloso nos lembra que o fascínio excessivo pela própria imagem frequentemente esconde um pavor profundo daquilo que foge ao controle.